Conselhos de Vó

Lei da caridade

Vó, hoje me disseram que “fora da caridade não há salvação”. Eu não consegui entender isso direito. Se eu não fizer caridade, não serei salvo?

Oh Filha, você realmente não entendeu direito. A caridade não é moeda de troca. Não podemos ajudar esperando retorno, mas sim, por amor ou bondade. Quem faz caridade sem amor, esperando que com isso esteja angariando um espaço no céu, está redondamente enganado, até porque essa caridade paliativa  de fim de semana não resolve o problema de quem precisa muito de auxílio.

Uai vó, e o que resolve então? Eu aprendi que a gente tem de dar esmola, ajudar quem precisa, fazer caridade sempre, dividir com os irmãos, essas coisas, para obter salvação.

Isso mesmo, se está em nossas mãos o poder de ajudar, façamos, mas já reparou como tudo ficou mecânico? Percebeu que falta alguma coisa? Primeiro temos de definir o que é caridade para entender o que ela requer de nós.

A caridade é um sentimento ou uma ação altruísta onde você ajuda alguém sem requerer nenhum benefício em troca. Só o fato de não querer nada pela caridade prestada já demonstra elevação moral e indica que é um boa pessoa. A caridade é uma forma de amor ao próximo.

Ah, tá, entendi o que é caridade. Mas, então Vó, o termo “sem caridade não há salvação” está equivocado, porque se sou caridoso esperando recompensa, salvação, isso não é caridade, porque esta não pede retorno. Está certo, Vó?

Agora, você entendeu, minha filha. A verdadeira caridade é essa, que amemos o próximo a ponto de doar de nós mesmos a ele sem querer que ele ou outro nos retribua. Lembra-se de alguém?

Jesus! Que a gente num segue direito, porque somos egoístas demais para fazer isso. Vó, é muito difícil ser salvo.

Precisamos de amor!

Pra senhora é fácil, né Vó. Ama todo mundo. Sempre enche a gente de mimos e cuidados.

Mas, nem sempre foi assim. Pra chegar até aqui, já cambaleei, escorreguei, cai, machuquei, magoei e atropelei, até atingir a maturidade para entender que tudo passa, menos o amor de Deus por nós. Ele nos ama tanto que nos deixa decidir o que fazer, mesmo sabendo que grande parte do que fazemos pode nos destruir e destruir outras pessoas.

Mas Vó… Como pode ser prova de amor, deixar a gente se estrepar nas decisões?

Exatamente isso filha, é nos erros que a gente comete, que aprendemos a fazer o certo. O ser humano aprende pela dor ou pelo amor. A Lei de Deus está inserida no nosso coração. Nascemos com o amor sendo o princípio e o fim de tudo. E a maioria de nós temos os pais, a família, para nos auxiliarem nas escolhas e decisões. E aqueles que não tem apoio familiar, tem os exemplos sociais.

Aquela dor ou incômodo que sentimos no íntimo quando fazemos algo errado, que muitos chamam de dor de consciência, é a Lei de Deus nos chamando a fazer o certo. Contra essa Lei, não há argumentos, porque ela está dentro de nós.

E quando a gente não houve essa Lei e continua no erro?

Vamos criando calos no coração e o amor deixa de ser prioridade, por fim, calejados com o egoísmo, orgulho e vaidade, deixamos de praticar a caridade e ajudar o próximo. E a Lei fica armazenada no fundo, voltando muito de vez em quando, até que a sepultamos e ela não incomoda mais.

As pessoas que enterram a Lei do amor bem fundo em si, tomam atitudes beligerantes contra os outros. E muitas vezes temos a impressão de que elas não tem mais coração. Ou, se o tem, escondem muito bem…

Nossa Vó… no final é tudo vaidade…

É filha, fora do amor não há salvação, Se não aprendermos a amar, de que vale a vida?

 

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