OPINIÃO

LEI DO MENOR ESFORÇO BRASILEIRO

O País está vivendo uma crise de identidade tardia. Essa crise deveria ter sido vivenciada em 1822, época em que D. Pedro proclamou a “independência” do Brasil.

Quem estudou um pouco de história deve se lembrar que, quando foi embora do Brasil, D. João deixou-nos o filho D. Pedro. Não se pode negar que ele teve de vencer algumas dificuldades para avançar, dentre elas, diminuir as suas próprias despesas, reforma da justiça, abolição de alguns impostos (menos o imposto do laudêmio, que continua até hoje), etc.

Os brasileiros da época estavam descontentes com o rei de Portugal, porque esse queria que o país voltasse a ser província portuguesa. Não satisfeito ainda, decretou o fechamento de escolas e tribunais (desde aquele tempo, já implicavam com os professores), e determinou que D. Pedro fosse apenas o governador do Rio de Janeiro. Achando pouco, o rei convocou o filho de volta a Portugal.

Como (brasileiro adora títulos) não queriam que o príncipe voltasse pra casa dele. Então enviaram uma mensagem ao rei, através de José Clemente pereira, com mais de oito mil assinaturas, solicitando que o rei deixasse o filho no Brasil.

Bom, a partir deste ponto D. Pedro, bem contente pela acolhida brasileira respondeu:

  • “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”!

O célebre dia 9 de janeiro de 1822 ficou sendo denominado o “Dia do Fico”

D. Pedro criou o ministério, colocando como ministro José Bonifácio de Andrada e Silva e formou um conselho representado por pessoas de todas as províncias.  D. Pedro decretou o “cumpra-se” onde nenhuma ordem podia ser cumprida se não partisse dele. (Como não podia deixar de ser, já nascemos submissos e concordantes com os políticos).

Quatro meses depois do “fico”, no dia 13 de maio de 1822, D. Pedro foi agraciado com o título oferecido pelo Senado da Câmara, de “Defensor Perpétuo do Brasil” (nessa época a câmara já bajulava bem quem tinha o poder financeiro).

Como nem tudo são flores, São Paulo e Minas causavam desordens, insatisfeitos com o status quo dominante. D.Pedro interviu, e acalmou os ânimos. Mas, algum tempo depois, a situação veio a piorar novamente.

Mais quatro meses se passaram e, em sete de setembro de 1822, quando voltava da visita a uma pessoa em Santos, margeando o rio Ipiranga, D.Pedro recebeu cartas de D. Leopoldina, sua esposa e de José Bonifácio, com notícias de Portugal.

De forma clara, José Bonifácio relatava os problemas e as novas ordens da corte portuguesa, aconselhando-o a proclamar a Independência do Brasil. Revoltado, D.Pedro gritou:

– “Laços fora, soldados. As cortes querem mesmo nos escravizar. Cumpre, portanto, declarar já a nossa independência desde este momento, estamos definitivamente separados de Portugal: Independência ou Morte seja a nossa divisa”!

Assim, desta forma, sem luta, sem derramamento de sangue algum, realizou-se o sonho de Tiradentes e de todos os vultos patriotas que lutaram e sonharam com a independência e liberdade do Brasil.

Depois que proclamou a independência, D. Pedro foi pra São Paulo comemorar. Num maravilhoso espetáculo para a pequena elite brasileira, regado a bons vinhos e ótima comida, servida pelos escravos, foi cantado o hino da Independência (música de autoria de D. Pedro e a letra de Evaristo da Veiga). 

Um mês depois de se separar de Portugal, no dia 12 de outubro de 1822, D. Pedro foi  aclamado o primeiro imperador do Brasil e pouco depois, no dia 1º de dezembro de 1822 foi coroado como tal.

Esta breve história da nossa “independência” ilustra bem o momento em que estamos passando. Desde sempre nós institucionalizamos o comodismo, dentro da lei do menor esforço.

O germe da revolução e independência plantado por Tiradentes e os seus não germinaram, caíram em terra seca do coração brasileiro. Quem nos libertou foi um príncipe ávido por novidades e outras “coisas”.

Desde a “independência” que, nosso país é governado pela mediocridade política elitista e reformulada sobre a fraqueza moral social, a falta de compromisso com o espaço do outro, com os interesses do outro. Essa situação de anemia social, de ausência de lutas, de não pensar no próximo, gerou uma consequência cruel que é a deficiência e degradação moral atual.

As pessoas que se dizem “do bem” tem vivenciado e legislado em causa própria a lei do menor esforço, com as máximas “Se não me atinge, porque vou lutar”, “isso é problema do outros e não meu”, “não faço o mal a ninguém, cuido só da minha vida”. Essa tem sido a “Lei do Bem”, do não faço nada contra ninguém e nada vai me atingir.

Se quem se diz do bem não luta, não faz nada, por outro lado, quem é do mal, tem se especializado cada dia mais e melhor. E segundo as estatísticas comprovam, quando o bem se cala, o mal avassala.

O mal não tem medo, não mede esforços, porque ele sabe que se parar, perde tudo que conquistou. Cabe ao bem, lutar pelo que quer ou perder o que tem.

Quem é do mal é audacioso, esperto, enxerga a frente, é enérgico, disciplinado e vive a lei do maior esforço. Faz o que mando, ou cai fora, isso se ele não o exterminar para não virar concorrente.

Preste atenção aos jihadistas islâmicos, eles se infiltram, estudam o inimigo, convocam forças e adeptos cada vez mais jovens, entram na mente do simpatizante e o tornam um lutador pela “causa”. A disciplina deles é mais severa do que a de qualquer exército no mundo. Não aceitam discussão e nem contrariedades, os erros são punidos com a morte, castração, aleijões e até execução das famílias.

Os defensores do mal em forma de bem particular, são extremamente eficientes no que fazem, a margem de erros é ínfima se comparada com o mundo do bem. Seus adeptos não têm telefone celular de última geração, caríssimos, para brincar e caçar pokémons ou joguinhos. Não tem computadores tops de linha, para ficarem nas redes sociais brincando de amigos para sempre, muito menos TVs enormes para assistir seu programa favorito.

Enquanto os filhos do bem se divertem atrelados a essas futilidades de última geração, embotando suas mentes com o que a mídia deseja que seja visto e (re)lembrado, com uma rede social frívola e vazia desprovida de propósitos úteis, o mal treina seus adeptos a serem cada vez mais audaciosos, mais engajados social e politicamente.

O bem está dormindo em berço esplêndido, se achando protegido, e o mal está no inferno. O problema é que o inferno se abriu e o Brasil caiu dentro dele. Inferno criado por nós mesmos.

Se uma guerra ou revolução começar, se o país for invadido, ou sofrer uma intervenção política ou militar, quem serão os primeiros a sucumbirem? Eu forço uma resposta, pra mim quem sobreviverá, são os praticantes do mal, que não tem escrúpulos em vender a própria mãe para sobreviver e entregarão o bem às cobras primeiro.

O mal se treina para a guerra todo o tempo de sua existência, porque eles são competentes e eficazes no que fazem. São mais rápidos no agir e no pensar, silenciosos, não precisam de propaganda do seu “trabalho”, seu boca-a-boca é excelente.

Enquanto o mal trabalha eficientemente, o bem fica a espera do milagre que vem do céu, porque acredita piamente que a bondade o salvará de tudo, já que alguém vai tomar providências em seu lugar e salvar a todos, inclusive ele. Resultado dessa luta é 1(eficiência) X 0(deficiência) pro mal.

Cada dia que passa o bem se afunda em suas próprias lágrimas, esperando o milagre sem fazer nada por si mesmo, sem despender nenhum esforço. Enquanto isso, a corrupção moral, sobe vertiginosamente assolando o país e assustando mais e mais as pessoas “de bem”.

Então, percebemos aqui, que o mal tem vencido até agora pela eficiência de seus esforços, contra a deficiência da lei de menor esforço propagada pelo bem. Dá-se jeitinho pra tudo no país, inclusive e principalmente para fazer vistas grossas ao mal que atinge o outro.

Preciso dizer o que é preciso fazer para que as coisas melhorem? Quer que desenhe qual deve ser a atitude correta a tomar?

FocoForçaFé!

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