OPINIÃO

DESEQUILÍBRIO

Chega a hora e eu vou para cama, bastante sonolenta. Começo a minha prece e no meio dela me desconecto pensando numa situação mal resolvida com um familiar que não me ama o tanto que eu gostaria que me amasse. Então eu peço a Deus por ele, e intimamente desejo que ele me perdoe, por seja lá o que eu tenha feito com ele, nesta ou em qualquer outra vida.

Recomeço a prece e quase terminando me lembro que quero ardentemente melhorar minha vida em relação a meu orgulho e vaidade. Tenho muito orgulho da mulher que sou, do que conquistei a duras penas e por isso, muitas vezes me excedo. Lembro de momentos em que me envaideci de minhas conquistas, quando feliz e risonha divulguei-as aos ventos que as levaram como um vendaval aos ouvidos alheios. Vejo em frente a mim, os olhares fuzilantes, igual sol de 40° em cima do gelo, daqueles que não se agradam das conquistas alheias. Tranquilamente me recordo que, quem me chamou um dia de vaidosa, é um tanto quanto ou mais que eu. Então pergunto-me porque preciso mudar, se do jeito que sou me agrada, e me respondo silenciosa e orgulhosamente que vivo em sociedade, e que busco a perfeição moral, por isto tenho de melhorar nesse e em outros quesitos. E a tempestade das respostas me pegam de um jeito, que nem tenho tempo de procurar abrigo.

Me lembro de pedir pelos meus filhos e enquanto peço por eles, recordo-me que como filha, já deixei muito a desejar e peço perdão por mim, na esperança de receber um alento, pelo que não fiz, pensando que talvez, em um futuro não muito distante, a Lei do Retorno, me apreenda na colheita. E a dor gritante, do bem que poderia ter feito melhor e não fiz, entra em mim como uma bala perdida, dilacerando minha dignidade e me fazendo doer o coração com um arrependimento não muito tardio.

Mas minha prece ainda não terminou, e o sono não vem, engraçado que algumas vezes eu disse o amém somente no dia seguinte, mas hoje não. Resolvo termina-la a despeito de meus desejos e ambições. Peço por todos os que me lembro, agradeço. Amém. Viro pro lado e só vejo o guarda-roupa na minha frente, menos o que procuro. Sono, seu safado, vem aqui me ver!

O sono sumiu e os pensamentos vagam como furacões, em minha mente lotada de nada para fazer. Há que se ter uma solução para esta situação. Então levanto-me e ando pela casa escura, porque não sinto necessidade de acender as luzes numa casa sem segredos.

Queria que a minha vida fosse que nem minha casa, para que eu pudesse andar por ela, de quarto em quarto, sabendo onde tudo está, sem segredos, sem surpresas, fora um ventilador no meio do caminho, um copo esquecido na beira do sofá e uma cadeira que deve ter vontade própria, porque não me lembro de tê-la deixado ali, bem na minha frente. É… assim como a vida, receio não conhecer tão bem a minha casa.

Paro em frente ao computador e vejo a oportunidade de verificar mais alguma coisa em algum site, facebook ou qualquer outra coisa. E não é que encontrei pessoas notívagas pelos caminhos da internet? Vagueando, encontro uma pessoa com necessidade de desabafar e me coloco a ouvir, nesse caso ler, seu desabafo triste. Dei alguns pitacos, e então descobri, que não tenho problemas tão profundos como eu pensava. Após ouvi-la e aconselhá-la despeço-me nem um pouco sonolenta.

Tic-tac… tic-tac. Daqui a pouco terei de trabalhar. Recomeçar esta vida de óculos, com pouca transparência, sem muitas verdades, sem olho no olho, mas com olheiras, abrir e fechar de boca e aquele olhar vazio de uma noite de sono perdida.

Desequilíbrio. Eis tudo!

 

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