HISTÓRIAS

UM DIA RUIM NA VIDA DE ALGUÉM

  • Meu pai pediu para falar com você, se pode mandar o dinheiro do aluguel para ele. Não está podendo vir aqui, porque está acamado. Eu trago o recibo para você. Disse a filha do Locador
  • Eu não vou pagar! Eu tenho dinheiro na mão dele. Respondeu a Locatária demonstrando irritação.
  • Mas o dinheiro é como caução porque você não apresentou avalista. É para você recebê-lo no final da locação, quando estiver saindo. No caso de não ter nenhuma pendência ele lhe será devolvido integralmente e com juros da poupança. Replicou a filha do Locador.
  • Eu conversei com uma amiga que tem barracões de aluguel e ela disse que eu posso fazer isso e que se quiser posso ficar dois meses sem pagar, porque o meu dinheiro está com ele e eu tenho os recibos de que eu paguei. Eu não recebi meu salário esse mês porque o banco me tomou tudo. Estou sem gás e cozinhando no álcool e sem dinheiro até para comprar as coisas. Respondeu rispidamente a Locatária.
  • Mas você não conversou no banco? Num reclamou da retirada do seu dinheiro? Não vão te devolver?
  • Não. O gerente disse que só mês que vem que vai regularizar minha situação.
  • Que absurdo! Eles não podem fazer isso!

A filha do Locador ficou olhando para a mulher. Condoída da situação dela, a filha do Locador se dispôs a ajudá-la. A Inquilina tinha uma filha adolescente, vivia de faxinas e recebia apenas meio salário mínimo de pensão da pai da filha. Então,a filha do Locador ofereceu-se para emprestar o gás.

  • Não, eu não quero nada. Estou me virando no álcool e já estou fazendo a janta.
  • Eu faço questão! Pode ligar e pedir o gás que eu pago e quando você puder, me paga. Ou eu posso descontar na faxina desta semana. Ofereceu educadamente a Filha do Locador.
  • Não! Eu não posso te pagar agora. Tenho compromisso com o dinheiro da faxina. E também não tenho crédito no telefone para ligar.
  • Ok! Eu vou pedir ao meu filho para ligar para o telegás onde ele tem costume de pedir, que eles dão um desconto para ele. Daqui a pouco eu te aviso.

A filha do Locador entrou para dentro do lote. Seu portão ficava de um lado e o da inquilina do outro. Sua casa ficava em cima da casa da Inquilina. Uma podia ouvir o que a outra falava, se o tom de voz soasse um pouco mais alto. Geralmente é assim em prédios de apartamentos.

A filha do Locador subiu e falou com o filho, que morava no terceiro andar.

  • Filho, Faça um favor para mim? A Inquilina está sem gás e sem telefone para solicitá-lo. Você pode fazer o favor de pedir um gás, lá no rapaz onde você tem desconto?
  • Claro! Mas eu tenho um gás guardado na garagem. Posso emprestar. Ela vai pagar agora?
  • Eu vou pagar para ela. Está sem dinheiro. De acordo com ela, o banco cortou o pagamento por erro nas contas.
  • Nossa! E ela não vai reclamar?
  • Disse que não tem jeito, que só no mês que vem.
  • Ok! Pede para ela subir, que vou dar a chave do quartinho onde está o gás para ela ir pegar.
  • Obrigada! Vou falar com ela agora.

Virou-se e desceu. Da janela de um dos quartos, ela gritou para a inquilina:

  • Inquilina! Inquilina? Sobe aqui! meu filho vai emprestar o gás. Ele tem um de reserva e você vem pegar a chave e vai lá pegar o gás.
  • Tá bom! eu vou subir ai daqui a pouco. Estou terminando uma coisa aqui.

A filha do Locador ficou aguardando e a mulher não subiu. Distraiu-se com seus afazeres e começou a fazer sua janta.

De repente ouviu um barulho e sua luz acabou. Ouviu alguns impropérios falados bem alto e foi a janela ver o que tinha acontecido.

  • Inquilina? O que aconteceu? Foi você que desligou a luz?
  • Sim! Foi sim! Estou testando para ver.
  • Ver o que?
  • Se é só a minha luz que acabou! Foi só eu falar que não ia pagar o aluguel e vocês vieram aqui e cortaram a minha luz!
  • Eu não fui ai. Meu filho está no terceiro andar. ninguém foi ai. Deve ter acontecido alguma coisa.

A Inquilina começou uma sessão de xingamentos e palavrões direcionados ao locador e família.

A filha do Locador, preocupada com a situação, chamou o filho e pediu para ele ir olhar o que houve com a luz. O filho largou seus afazeres e desceu para ajudar. A mãe pegou a lanterna,  visto já ser noite, e o acompanhou.

A Inquilina nervosa, soltava impropérios direcionados a filha do Locador, ao locador, à casa e à sua própria situação.

O filho da filha do Locador, examinou a fiação e descobriu o problema. Explicou que havia um curto circuito nos fios e que provavelmente foi ocasionado por sobrecarga na energia.

A mulher perdeu os freios e atropelou:

  • Foram vocês! Cambada de filhos da puta! Cortaram a minha luz, porque eu não vou pagar o aluguel! Agora é que não pago mesmo. Vocês não prestam! Vocês vão me pagar!
  • Minha senhora, Não fomos nós que causamos o curto circuito na sua casa. Isto foi porque houve sobrecarga. A senhora deve ter ligado dois aparelhos que consomem muita energia ao mesmo tempo e, daí houve sobrecarga e o relógio desarmou. Vou arrumar aqui.
  • Tem de arrumar mesmo, pois foram vocês que causaram o problema. Povo safado, pilantra. Vocês são tudo ladrão!
  • Peraí, minha senhora! Eu estou tentando ajudar. Num vem me ofender, porque eu não tenho nada a ver com sua vida ruim. Respondeu rispidamente o rapaz.
  • Tem a ver sim! Veio aqui e estragou o relógio. È um filho da puta, sem vergonha!

A filha do Locador, chamou-lhe a atenção dizendo que o filho viera ajudar e que não tinha nada a ver com o problema na luz. A sobrecarga fora causada por problemas internos na casa.

O rapaz irritado largou a fiação e disse a mãe que não ia mais emprestar o gás e que ela se virasse sem gás e no escuro e que fosse se foder nos infernos. Saiu irritado do local.

A mulher recomeçou com os impropérios e ofensas tanto à filha do Locador, quanto ao filho dela:

  • Cambada de bandidos! Vocês vão me pagar! Vão precisar de mim um dia e eu vou dar o troco! Vocês vão se fuder cambada de ladrões! Não vou pagar o aluguel! Não vou pagar mais nada nessa espelunca. Barracão fodido do capeta! Gente fodida! Canalhas!

A filha do Locador ficou alguns segundos ouvindo as baixarias e tentando explicar a situação e contemporizar o fato, mas diante da impossibilidade de entendimento, das grosserias e do escândalo, saiu e deixou a mulher presa ao seu infortúnio mental e espiritual. No caminho percebeu a filha da Inquilina encostada a um canto do corredor, observando a cena insólita.

  • Agora entendi, quem você puxou, quando ouço seus escândalos com sua mãe!
  • Eu não! Eu não pareço com essa louca de jeito nenhum! Responde a menina rapidamente.

A filha do Locador, chateada  e cabisbaixa subiu para sua casa. Não conseguia entender o porque de tanto ódio e rancor, quando só o que quis foi ajudar. Ligou pro seu pai e explicou que não haveria aluguel aquele mês porque a mulher se recusava a pagar. Que ele resolvesse a situação com ela, porque não poderia mais intervir. Contou tudo que a mulher falou e xingou. 

Durante várias horas, ainda ouvia as baixarias da Locatária. A mulher ligava para várias pessoas e relatava que tinham cortado sua luz, porque ela havia dito que não ia pagar o aluguel e que tinha crédito na casa e que ia chamar a polícia e que ia levar na justiça, que o local era um muquifo, uma favela, que era só baixaria e que…

Por fim, a mulher se calou.

No outro dia a Inquilina deixou na porta da filha do Locador todos os presentes que havia ganho dela. Não queria nada e nem favor de gente da laia dela.

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Poderia deixar aqui um monte de considerações a respeito da situação. Mas… “apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito”. Eclesiastes 1:17

#ForçaFocoeFé

 

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