OPINIÃO/SONHOS

UM ABISMO ME ESPERANDO

O SONHO

Eu me encontrei em um local desconhecido. Um homem me abordou e disse que eu seria sua acompanhante para a festa. E que teria grande prazer em ir comigo. Ele fez um gesto de me dar o braço, mas eu recusei.

Como se algo estivesse me empurrando, eu rapidamente rumei para minha casa, com o intuito de me arrumar para a tal festa, mesmo sem saber onde era e qual a finalidade. Sem passar por nenhum caminho, me vi na porta da minha casa. Eu fiquei procurando o portão e não encontrei. Havia uma cerca de arame, muito bem entranhado e eu tentava abrir para passar, mas o arame voltava ao lugar e não me deixava entrar.

Me afastei um pouco da cerca para ver se havia alguma outra entrada e de repente a cerca se transformou em muro de tijolos enorme, com uma altura descomunal. Abismada com aquilo, dei um passo para trás e ao olhar para o lado, lá estava minha cunhada, esposa de meu irmão mais novo, que apareceu do meu lado como um passe de mágica, me sorrindo.

O muro começou a balançar e se inclinar para o meu lado. Com medo dele cair e, temerosa de ser atingida me afastei para trás, rapidamente. Ao me afastar sem prestar atenção no que estava atrás de mim, caí em um abismo, mas consegui me segurar na beirada e fiquei gritando por ajuda.

A terra da beirada era fofa como uma almofada e no entanto não  se soltava da minha mão. Fiquei agarrada a ela, mexendo as mãos e apertando-a sinistramente. Ao olhar para baixo vi o quanto era fundo o abismo. Gritei alto por socorro mas minha voz não saía. Várias pessoas por perto e ninguém me via ou vinha me socorrer.

Então percebi que estava sozinha na beira do abismo. Gritei por socorro novamente, mesmo sem voz. Lá na frente, à minha esquerda vislumbrei meu filho sentado com meu neto no colo. Rezei para que ele olhasse para o meu lado e me visse. Ele estava de frente para o mar, que antes eu não tinha percebido a existência. Ele me olhou, colocou meu neto no chão e veio na minha direção, em meu socorro. Assim que se viu solto no chão, meu neto engatinhou rapidamente em direção ao mar. Eu falei mentalmente para ele voltar e pegá-lo ou se afogaria, no que ele me atendeu.

O homem que me convidou para a festa, apareceu e me ofereceu o braço. Eu olhei incrédula para ele, por me fazer aquele convite enquanto eu estava dependurada na borda de um precipício. Ele riu e olhou para baixo. Eu segui seu olhar. Ele estava em pé, ao meu lado e, só tinha um riacho bem cristalino aos pés dele e, estávamos ambos na mesma altura e eu estava pisando no riacho também e não havia mais precipício algum. 

Meu filho veio com meu neto, me deu a mão e me puxou para cima com facilidade e sorrindo. Eu olhei para o homem que sorria e acordei.

NOSSA ANÁLISE

Nosso problemas nos assombram diuturnamente. Precipícios significam nossas dúvidas e medos não resolvidos.

Ao sermos convidados para algo bom, uma festa por exemplo, duvidamos do nosso merecimento, mesmo que estejamos acompanhando alguém que nos faz bem. Oferecer o braço é oferecer segurança, companhia. Recusar, nesse caso é ficar na dúvida sobre se devemos aceitar ou não uma ajuda.

Correr para casa, significa buscar proteção para decidir se aceitamos ou não a proposta de ajuda, para nossa situação problemática, isso de acordo com nosso ponto de vista. Chegar em casa e não encontrar a porta de entrada, significa que a dúvida aumentou, e que nós não confiamos em nós.

Ao insistir em entrar e não conseguir, significa que devemos continuar a procurar uma solução e encarar nossos medos.

Por outro lado, de repente aparecer um muro de proteção é como se estivéssemos dando ao problema uma dimensão bem maior do que ele realmente tem. Uma boa forma  de encararmos de frente o problema é buscar a fé dentro de nós mesmos e não ficarmos nos escondendo dentro da nossa zona de conforto que o lar representa.

O cair do muro representa que nossos medos podem nos matar e nos impedir de avançar em busca da resolução de nossos problemas. Tanto é que ficamos dependurados na beira do abismo e o pedido de socorro nos é impedido de sair através da voz, porque nosso coração, no intimo, sabe que somos capazes de sair sozinhos do precipício em que nos encontramos.

Todos nos viram as costas e não veem o quanto estamos necessitados de auxílio, porque cada um está em seu momento aflitivo particular. Mas uma pessoa em especial, nos vê e vem em nosso auxilio, mas esta pessoa também tem problemas e precisa resolvê-los antes que possa nos atender. E ela vai resolver seu problema primeiro antes de nos ajudar. Mas nossa consciência, nos alerta de que somos capazes e, em determinado momento, intimamente cônscios de que precisamos reagir não nos manda a solução, com um braço amigo em nosso auxilio, que o medo nos impede de acolher.

Então nossa consciência nos mostra o tamanho diminuto do problema. Olhamos desesperados e enxergamos que o problema é bem pequeno e que poderia ter sido resolvido calmamente, se tivéssemos tão somente tido fé em Deus e em nós mesmos para acreditar que bastava um braço amigo, uma simples solução para encerrar o caso.

A maioria das pessoas não conseguem oferecer auxílio quando elas estão resolvendo seus próprios problemas. Não podemos dar o que não temos. Para estender a mão e ajudar ao outro precisamos nos ajudar primeiro. É ai que entra a fé em Deus e em nós mesmos.  As pessoas que aparecem como passe de mágica em nosso caminho e rapidamente desaparecem, são as chances e soluções que desperdiçamos enquanto procuramos soluções “mágicas” para nosso problema. Ao nos afastarmos para “ver” melhor não resolve, mas nos assusta mais e, temos a impressão de que o problema irá literalmente cair sobre nós.

O que devemos fazer então? Ter calma. Aceitar os braços (conselhos) oferecidos de bom grado. Tentar nos desfazer do orgulho e vaidade (virar rapidamente e correr para casa) e procurar encontrar uma saída pacifica e tranquila, tentando enxergar todos os ângulos da situação, não só do nosso ponto de vista, como dos demais interessados ou envolvidos nele.

Não há somente um ponto de vista sob a questão, mas vários: o seu, o dos outros e o espiritual. Ter em mente que podem existir várias pontos de vista corretos, e que dependendo da circunstância podem estar todos corretos, mas infelizmente não se encaixam na necessária resolução do nosso problema.

Prestemos atenção às pessoas que surgem ao nosso lado, em quem nos oferece ajuda espontânea. Tenhamos mais fé em nós mesmos. Procuremos ver todos os ângulos do problema, sem nos atermos a artificialismos e dogmas. No final tudo dá certo e se não deu certo, é porque não chegou ao final. Tudo passa!!!

#FocoForçaeFé

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s