OPINIÃO

MOMENTOS FELIZES

Determinação

Todos temos sonhos, principalmente sonhos de felicidade eterna, duradoura, ou pelo menos longa. Mas, o que temos mesmo são episódios de felicidade, aquilo que chamamos de momentos felizes e nada mais.

Mas o que seriam estes episódios felizes? Seriam por exemplo, o nascimento de um filho, o casamento, uma viagem programada que deu certo, enfim, um monte de coisas que damos valor e que conseguimos ao longo da vida e que por isso nos tornou felizes naquele momento. Nada mais do que isso.

Entre estes momentos felizes e os momentos normais e ou infelizes é que está o X da questão. Porque não temos felicidade eterna? Porque vivemos em um mundo de provas e expiações. Um mundo onde não temos amadurecimento suficiente para encarar o amor verdadeiro como troca e doação e fazê-lo sobrepujar nossas necessidades acima de qualquer coisa. Sempre pensamos que o jardim do outro é mais verde do que o nosso.

Vejamos um exemplo hipotético que pode nos causar infelicidade:

Eu moro numa área central. Até pouco tempo eu acreditava que não existiam pessoas que criassem galinhas em área urbana. Mas, daí quando me mudei, descobri que tenho um vizinho que cria galinhas e que também tem dois cachorros grandes. Cachorro é normal na Capital, mas galinha, pensei eu, que coisa esquisita.

Tenho dois problemas com o vizinho. O primeiro é que os cachorros, em determinada hora da noite, fazem uma algazarra, latem severamente (os defensores dos animais devem estar pensando: – eles tem de latir, não sabem falar) penso que seja pela quantidade de ratos que são atraídos pelas rações das galinhas, e como cães percebem tudo em escala centenas de vezes maior do que a nossa, latem para alertar sobre os ratos, que são uma ameaça e os cães entendem isso melhor do que nós. Onde quero chegar com isso? Calma!

O segundo problema é que as galinhas acordam cedo, já que dormem logo que escurece. Eu durmo tarde, consequentemente, quando elas acordam e dão bom dia, eu ainda quero dormir, por pelo menos umas duas horas ainda. Ai vem o impasse…

Diante desse problema, eu tenho várias soluções: Reclamar com o vizinho. Jogar sonífero pros bichos (se eu falar que as vezes tenho vontade de jogar outra coisa, vou ter de responder processo, por pretensas intensas escabrosas ou mesmo ter de haver-me com os protetores dos animais). Tiro um dia da semana e quando a galinha começar a latir ou o cachorro começar a cacarejar (depois de alguns dias é assim que eu me sinto em relação a eles) eu ligo pro vizinho e dou um esculacho geral nele, que depois de algumas ligações, vai chamar a polícia pra mim, viramos inimigos ou saímos no tapa na rua, o que também não é uma boa opção pra ninguém.

Todas as opções acima não dão resultado (em tese, já que nunca testei nenhuma delas), porque se desse, não criariam galinhas junto com cachorros. Ponto pacifico. Quanto aos ratos, que já estão tentando entrar na minha casa e na dos outros vizinhos, porque proliferaram tanto com a engorda das rações, que já se tornaram atrevidos. Invadindo o território alheio, onde não tem cachorro e nem gato para assustá-los.

Onde entra a felicidade nisto tudo, você está ai pensando desesperado pra eu terminar este texto e te falar a resposta.

Pois bem, a felicidade está no momento em que o cachorro cala a boca. Ou quando eu estou tão cansada que nem ouço a algazarra do galo e das galinhas do vizinho acordando em plena madrugada, principalmente no domingo, quando se pode acordar mais tarde. E olha que sou atleticana. Imagina meu galo gritando: – É campeão!!! Mas na voz do galo, marido da galinha do vizinho? Tomo raiva numa velocidade.

E ai me peguei pensando aqui, que povo sem noção. Onde tem galinha, os ratos engordam. E na área central onde não dispomos de muitas coisa pra eles, um galinheiro é como um armazém 0800. E os únicos que se dão conta disto são os cachorros, que latem a noite inteira dizendo (a esta altura já estou falando cachorrês): – Olha os ratos! Os ratos estão invadindo! Vamos pegar os ratos! Pega, eles fugiram pro vizinho! Parem de dar comida aos ratos!

E o pior é que o vizinho, dono do galinheiro e dos cachorros, não se manca, não entende a realidade dos aumento dos ratos devido às suas galinhas. Ah, parei! Chega de falar de galinheiro e cães. Voltemos à felicidade. Bom, acredito que o vizinho também acorde com os cachorros, e com as galinhas. Mas, talvez não saiba o que fazer para resolver a situação, porque pode não ter se dado conta do que acontece realmente. Então ele também não está feliz, e a culpa é dele.

Pronto, chegou onde precisava chegar. A felicidade é nossa responsabilidade. Assim como o contrário, a infelicidade, também é causada por nossas escolhas de vida. Eu escolho fazer uma prece enquanto o cão está latindo e na maioria das vezes funciona porque consigo falar o amém só com o dia clareando. E quando perco o latido e acordo junto com as galinhas, me viro de lado na cama (modo em que durmo mais rápido) espero elas terminarem o bom dia e durmo de novo. Quando não funciona, como hoje, me levanto e venho escrever.

Momentos felizes são tudo que temos. Entre um momento feliz e outro, acontece nossas provas e expiações (mais dolorosas) o que temos de fazer enquanto isso? Viver. Dar o melhor que temos.

Então não adianta chorar porque algo deu errado. Pense. O que você fez pra que desse certo? A culpa das coisas erradas são na maioria das vezes, nossa. Porque não prestamos atenção, porque demos resposta errada, porque tivemos uma atitude inoportuna, equivocada, incoerente, incorreta e por ai vai. Analisa e verá que estou certa. Nem vou entrar no demérito da questão, porque já entrei no mérito.

Seja qual for o problema, ele vai passar. Seja qual for o episódio feliz, ele também vai passar. Então, entre a felicidade e o problema, procure consertar os erros (tenho uma amiga linda, que é especialista em português e deve estar corrigindo meus erros no texto, mentalmente), resignar-se e esperar pelo próximo episódio, seja ele qual for. No final, tudo dá certo. Se não deu certo, é porque ainda não chegou no final.

Não acredita? Azar o seu, porque eu também não estou no meu momento muito feliz!

 

 

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