HISTÓRIAS

ALÉM DO MEU MUNDO – CAPITULO I – CONTINUAÇÃO

Dois dias depois…
– Alô? Quem fala?
– Oi, Susana! É o Túlio, do shopping popular. Está podendo falar agora?
– Ah! Sim! Fala. Tudo bem Tulio?
– Beleza! Pois então, eu queria te convidar para tomar um sorvete ou um suco, qualquer coisa que você quiser. Falou tropeçando nas palavras, quase gaguejando, bastante embaraçado.
– Claro! Será um prazer. Susana percebeu o embaraço dele e sorriu.
Marcaram o encontro pra noitinha, num shopping perto da casa dela. Túlio ficou ansioso até chegar o horário de vê-la. Tinha encontrado a mulher da vida dele. Tinha ficado dois dias inteiros pensando nela. Nem saira pra pescar umas carteiras. Estava de férias da faculdade, mas precisava de dinheiro pra garantir seus gastos.
Ela apareceu linda em um vestido florido bem curto, com os braços de fora. Tinha uma flor nos cabelos e um salto altíssimo nos pés. Onde ela encontrava equilíbrio parasse manter em cima daquilo, pensou ele.
Gaguejando ele cumprimentou-a elogiando a flor no cabelo. Vontade mesmo era de elogiar aqueles pernões de fora e aquele traseiro empinado saltando no vestido. Mas não ia fazer isso ou espantava a presa.
Entraram no shopping e ele procurou uma mesa mais discreta, no canto. Sentaram. Um garçom todo solícito veio apresentar o cardápio. Ele olhou pra ela e perguntou o que ela queria.
– Uai! Sorvete né! Não foi pra isso que me convidou? Sorriu flores para ele, que embasbacou geral.
– Bom… é… nós… espera um pouco que vamos decidir. Pode deixar o cardápio aqui.
– Ok senhor! Volto em uns minutos para tirar seu pedido! Zé ruela! Pensou o garçom. Traz uma beldade dessas para o shopping e não sabe nem o que fazer com as mãos. Deus num dá asa a cobra mesmo!
Acabaram pedindo filé com fritas e dois sucos de laranja com abacaxi. E o papo rolou por várias horas.
– bom! Está ficando tarde. Meu pai não gosto que eu volte tarde pra casa. Sabe como é…
– Eu gostei muito de conversar com você. Quer namorar comigo? Soltou de supetão.
Ela arregalou os olhos surpresa. – Mas eu acabei de te conhecer. Não sei nada sobre você e nem você de mim.
– E precisa saber tudo do outro pra namorar? Num estou te pedindo em casamento, ainda, só em namoro. Aceita vai? Sou um cara legal.
– Vou pensar e te respondo tá? Falou tímida. Meus Deus que cara apressado. Minha mãe disse pra eu ter calma com essas coisas. Ah, mas ele é tão bonito, tem um papo legal, estuda, faz estágio. Acho que vou arriscar.
Três dias depois eles começaram a namorar. Ele se mostrou um rapaz gentil, educado e não avançava os limites impostos por ela, era só beijinho e mãos dadas. Tudo ia bem até que ela disse que ele tinha de ir na casa dela pedir oficialmente pra namorar, porque os pais estavam cobrando muito, já que ela estava saindo quase todo dia.
Em uma noite de lua cheia, eles marcaram dele ir conhecer os pais dela. Ele chegou as 20 horas em ponto pra jantar. Coitado! Foi uma sabatina de perguntas e um emaranhado de mentiras da parte dele. A única verdade era que ele fazia faculdade de direito. O resto, só mentiras e encenações.
Tulio contou sua história e convenceu-os do que falava. No final do jantar a sogra já estava quase querendo marcar o casamento de tão empolgada que estava. E o sogro já estava a lhe oferecer tapinhas nas costas e convidando pro futebol de fim de semana com os amigos dele.
Os pais dele detestaram a idéia do namoro. A mãe, nem se fala. Estava com ódio da magricela traíra que queria roubar o único filho querido dela. Fez o que pode para atrapalhar e quanto mais atrapalhava, mais o filho se apaixonava e o marido também. Viu-se sozinha e esquecida. Teve de refazer seus conceitos e se aproximar da futura nora, já que tudo estava se encaminhando para o final feliz.
Tulio precisou arrumar emprego de meio período para justificar os presentes e os gastos com a namorada. Continuava com suas trapaças quando não ia se encontrar com Susana. Já havia conseguido juntar um bom dinheiro, fruto de seus roubos, trapaças e jogatinas. O engraçado era que ele era o melhor aluno da sua turma. Não tinha nenhuma dificuldade em tirar excelente notas. Os colegas o pagavam para fazer trabalhos e até para trocarem de provas, nas matérias mais difíceis. Ele era mesmo um tremendo de um sem vergonha que não gostava de trabalhar. Não fosse isso, poderia se destacar no estágio de direito.
Alguns meses depois, ele já estava querendo marcar o casamento. Deu a ela um lindo anel de noivado, com direito a festa com os amigos e tudo o mais. A vizinhança comentou a festa por dias. E sua mãe chorou por uma semana, já pensando em como envenenar a nora antes do casamento fatídico com seu amado filho.
– Eu acho que você tem de parara com essa ideia de casamento. Disse a mãe de Tulio. -Não vai pegar bem para nossa família, uma pobretona fazendo parte dela. Isso iria sujar nossa longa ficha de fazendeiros abastados.
Túlio deu uma olhada para seu pai pedindo ajuda.
– Ah, tá! Sei bem como é isso! Deu uma olhada do tipo, não estou nem ai pra sua conversa. – Deixa de ser besta, sua família já não tem tanto dinheiro há décadas mulher. Tem hora, que você me sai com cada coisa!
– Você não perde uma chance, heim homem horrivel? Uma hora dessas, eu desfaço esse casamento, te repudio e, te mando de volta para sua família de advogados de porta de cadeia.
– Eu estou aguardando ansiosamente por este dia! Se você tiver coragem, é claro! Você é uma nariz empinado das piores. Respondeu Nicolau altivo e sorridente. Balançou a cabeça com desdém. – Quem não te conhece, até acredita no que você fala. Tulinho e Susana vão se casar com ou sem o seu consentimento, do jeito que quiserem e pronto. Quem é você pra falar do contra.

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