HISTÓRIAS

ALÉM DO MEU MUNDO – CAPITULO I

ALÉM DO MEU MUNDO – CAPITULO I

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Já li e reli tantas histórias de amor que nem sei mais o que é real e imaginário nesta questão de amor. Acredito que vale tudo neste mundo. Por amor, ódio ou dinheiro os seres humanos matam e morrem. Não te prometo uma história de arrancar lágrimas, cabelos ou suspiros, mas acredito que também não vou ficar devendo nada a nenhuma história água com açúcar que você teve ou já leu.

Nunca tive sorte no amor. Algumas vezes pensei que tinha dedo podre, porque só arrumei umas merdas para me atrapalhar. Alguns deles me fizeram apaixonar e depois percebi que não valiam uma passagem de metrô pra lugar algum. Outros, nem cheguei a amar, mas me fizeram pensar em vomitar antes de fazê-lo. Já suspirei, amei, chorei, esperneei, odiei, desprezei e por ai afora, como qualquer ser humano normal, mas nunca desisti, ainda procuro… num sei o que… mas procuro.

Queria contar uma história sobrenatural com vampiros, bruxas, duendes, imortais e coisa parecida, porque isso dá ibope, já que nos amamos tudo aquilo que nos é desconhecido. Mas infelizmente não me veio nenhum personagem bacana, daqueles que merecem um oscar pela sua atuação. Então decidi, vou contar uma história comum mesmo.

Minha história é sobre Maria, um pessoa normal. Mas ela parecia diferentes das outras crianças quando bem observada. Ela aparentava uma força que não deveria ter, amava conversar com animais, plantas e tinha uma amiga invisível. Mas primeiro preciso contar o início da história dela.

***

Tulio olhou sua carteira e percebeu que estava zerado. Resolveu dar uma ida até o shopping para ver se arrecadava algum dinheiro. Ele havia chegado de uma viagem ao interior com seus pais e não tivera tempo para providenciar um dinheiro para financiar suas saídas. Segundo ele, o shopping popular em Belo Horizonte, numa área bem central era o melhor lugar para uma caçada. O local vivia cheio de gente trombando uns nos outros, os seguranças eram uns palermas desavisados, prestando mais atenção as bundas que desfilavam do que nos meliantes em ação. Bastava um toque de alguns segundos para ele conseguir extrair uma carteira ou um celular. Ele adorava entrar no elevador lotado e encostar-se às pessoas como quem não quer nada. As pessoas nunca se davam conta do que estava acontecendo.

Neste dia, ele fez como de costume. Deu uma volta no local e entrou na fila para tomar o elevador lotado. Enquanto fingia que esperava, tomou o celular da bolsa aberta de uma mulher. Saiu da fila rapidamente, desligou o celular e voltou a fila. Desta vez tirou a carteira de um rapaz a sua frente. Seu alvo preferido eram as mulheres. Lindo como ele era, elas não se importavam quando ele as tocava, muitas das vezes desviando sua atenção do que sua outra mão estava fazendo. Já havia arrumado muita paquera nas suas incursões ao local. Tulio continuou nas suas investidas, totalizando seis carteiras e cinco celulares de marca boa e dois mais ou menos.

Ele sabia que tinha uma magnetismo com ele, porque tinha tanta facilidade em distrair as pessoas e roubá-las que as vezes achava até covardia. Na terceira volta de elevador, apenas ele e uma moça se encontravam dentro do mesmo. Ela apertou o botão do terceiro andar. Fingindo interesse ele perguntou a ela por uma loja que tinha no terceiro andar. A moça, toda solícita respondeu as suas perguntas. De repente, a moça pareceu desfalecer. Quase não aguentou sair do elevador, de tanta tontura. Ele pediu ajuda e uns lojistas o ajudou a leva-la até a gerência do andar, onde tinha uma enfermaria. Alguém ficou encarregado de chamar uma ambulância para ela. Ele pegou a carteira e o celular da moça, deixando-a desguarnecida. Arrumou uma desculpa e caiu fora. Não queria que a moça acordasse e desse falta dos pertences. Procurou um banheiro no primeiro andar. Trocou a blusa e colocou um boné para mudar o visual.

Saindo da banheiro, ele viu a moça. Tal qual nos romances açucarados, ela flutuou em sua direção. Linda, em um jeans daqueles que insinuava que ela tinha nascido dentro dele de tão coladinho, camiseta decotada sem manga, tênis rosa, cabelo amarrado em um rabo de cavalo esvoaçante, com uma franja linda. A própria deusa da beleza. Se ele considerasse que tinha um coração, naquele momento ele diria:  me apaixonei! Em uma fração de segundos que ninguém mais percebeu, ele se colocou na frente dela e deram uma tremenda trombada.

– Nossa! De onde você saiu? Eu não te vi! Desculpe-me! Falou a moça, sem graça!

– Me desculpe! Também não te vi! Anjos deviam voar. Você se machucou? Respondeu oferecendo o melhor de seus sorrisos.

– A culpa foi minha, eu estava distraída olhando vitrines. Sorriu envergonhada.

– Tudo bem! Desculpas aceitas, desde que também aceite as minhas e, tome um suco comigo. Meu nome é Túlio. E o seu?

– Meu nome é Susana! Sorriu. – Está certo, eu aceito o suco.

Ele encostou no braço dela. Um choque passou pelo seu corpo. Que delícia de mulher, meu Deus! Nem pensar em me apaixonar por isso tudo!

Mas o destino tinha outras intenções, ele se encantou de imediato por ela. Seus olhos azuis, com uma fina coroa dourada em volta, davam a ela um lindo e enigmático olhar. E um cheiro tão delicioso que chegava a ser comestível. O coração dele não batia, entoava canções. Túlio sentiu a sensação do estomago embrulhando. Seus olhos nublaram emocionados. Neste momento o telefone tocou e ele atendeu.

– Oi! Fala ai, mãe!

– Tulinho, meu filho, o que está acontecendo com você?  Senti uma pontada no peito de saudades de você. O que está havendo? Você está bem? Onde você está? Vai voltar que horas? Indagou Leonor.

– Está tudo bem, mãe! Ele respondeu sem graça. – Daqui a pouco estou indo embora.

– Está bem filhote, não demore. Estou fazendo seu jantar, quiabo com frango, como você gosta.

– Ok, mãe! E desligou rapidamente. – Mamãe! Ela se preocupa muito comigo.

Chegaram a lanchonete. Ela pediu um suco de laranja com abacaxi e ele um de manga. Beberam, conversaram amenidades e ele ficou mais encantado por ela.

– Me desculpe Susana, mas preciso ir embora. Gostei muito de você. Pode me dar seu telefone?

Pegou o telefone dela e lhe passou o seu. Prometeu ligar no dia seguinte. Beijou-lhe as mãos, pagou a conta e saiu rapidamente.

Que doideira! Ele é muito lindo, mas é muita areia pro meu caminhãozinho. Tomara que me ligue amanhã.  Susana pensou.

Tulio chegou em casa. Sua mãe o esperava, sentada na poltrona da sala.

– O que aconteceu, filho? Perguntou assim que ele entrou.

– Nada mãe! Eu estava estudando com uns amigos na biblioteca da faculdade. Dai resolvemos ir com o Hamilton no shopping pra ele comprar um celular porque o dele pifou de vez. Conheci uma moça. Conversei com ela. E meu coração bateu por ela como música de rock. Meu estomago embrulhou, e a senhora pode não acreditr, mas eu tive a sensação de que ia vomitar ali mesmo. Meu olho chegou até a embaçar. Os meninos me trouxeram aqui . Fiquei com medo de estar doente. Coisa mais estranha. E papai? Desconversou.

– Seu pai foi no Jarbas tomar uma cachaça pra jantar? Respondeu Leonor.

– Sim! Claro, como sempre! Vou tomar um banho rápido enquanto ele não chega. Respondeu Túlio.

– Você está de férias. Vai estudar mais hoje?

– Não! Chega! Já estudei o suficiente hoje. E roubei também. Riu sozinho.

– O shopping estava cheio de mulher bonita pelo menos? Perguntou Nicolau, entrando na sala. – Por que você não trouxe uma pra casa?

– Sim! Lindas demais! Principalmente a Susana com seus olhos são de tão enigmáticos, que nem pude deixar de fitá-los. Nunca vi nada igual. O coração dela entoava uma canção compassada, num ritmo louco para meus ouvidos. Cada uma mais bonita do que a outra! Mas como temos a dama mais linda aqui em casa, pensei que não seria muito prudente trazer uma concorrente…

A mãe sorriu embevecida com o filho tão galante.

– Pode parar! Sorriu alto. – Sua mãe já te adora o suficiente, para de puxar o saco dela. Falou Nicolau.

Pressentindo uma discussão, Tulio saiu da sala em direção ao seu quarto. Todo dia era a mesma coisa antes do jantar. Nada mudava naquela casa.

– Ah, para com isso! Meu bebê sempre será um fofo educado. Você é que deveria falar comigo como ele. Mas é um bronco, mal educado. Respondeu Leonor, sorridente.

– Claro que falarei um dia, quando você merecer, oras! Falou Nicolau debochando.

– Eu nunca fui uma mulher qualquer. Defendeu-se. – Sou uma mulher poderosa. Sou filha de um fazendeiro muito importante. Respondeu Leonor de cara fechada.

– Era importante, meu bem! Era. Respondeu Nicolau num tom sarcástico. – Rica antes, agora não é mais, você era uma roceira linda, pra ser mais exato. Eu te dei uma nova vida. Fala que não?

– Oh! Você continua sendo um homem orgulhoso, preconceituoso e bastante estúpido! Como ousa desmerecer minha família desse jeito?

– Que família? Meia dúzia de roceiros com alguns hectares de terra, algum gado nem tão gordo e uma rocinha de aboboras. Minha querida esposa, seu maior poder é a língua ferina. E isso não me assusta de forma nenhuma. Você tem muita sorte por eu te amar. Desdenhou sorrindo. – E pare de tratar Tulio como criança. Ele tem mais de vinte e um anos. Já está passando da hora dele ajeitar este coração dele, formar e arrumar um bom emprego.

– Eu não vou ficar aqui ouvindo suas tolices de advogado meia tijela metido a besta! Velhote bastardo! Saiu da sala pisando forte.

– E “muintcho” gostoso! Você se esqueceu de dizer, minha linda! Riu cinicamente.

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