HISTÓRIAS

Bem ou mal, qual você paga primeiro?

Um casal estava caminhando por uma área de preservação próxima ao seu sítio, quando ouviram um gemido. Receosos, calmamente se aproximaram para verificar a origem.  Deitado e sangrando, um homem gemia.

Aproximaram-se e o examinaram. A ferida era pequena, mas sangrava muito. Ele deveria ser atendido rápido. O problema era que estavam a duas horas do hospital mais próximo.

Com bastante dificuldade, o casal carregou o homem até a casa. Tendo alguns conhecimentos de enfermagem, a senhora cuidou do homem, enquanto o marido pedia ajuda por telefone. O sangue foi estancado e o homem permaneceu meio inconsciente, falando palavras desconexas.

A ajuda não veio. Teriam de levá-lo até o hospital. Para piorar a situação caiu um temporal e o telefone ficou mudo. Estavam sem carro, porque o haviam emprestado. Não havia como tirar o homem dali. O jeito era cuidar dele, para que sobrevivesse.

Quatro dias depois, restaurado e sem perigo de morte, o homem relatou que havia sido traído e roubado por um conhecido. Tentou reagir e foi agredido a facadas. O agressor achando que ele estava morto, o levara até o local e o deixara para apodrecer. Irado, ele iria se vingar a qualquer custo.

A chuva parou e o telefone voltou a funcionar. Já em condições de andar, o sujeito pediu ao casal que ligasse para um amigo vir buscá-lo.

Antes de partir, abraçou fortemente o casal e agradeceu por terem salvado sua vida. Levaria em seu coração a bondade que tiveram com ele. Estava decidido, ele iria atrás do homem que tentara matá-lo e se vingaria.

A senhora olhou fixo nos olhos dele e disse:

– Tudo bem, meu amigo. Se o que deseja é vingança, vá e a execute! Entretanto, devo avisá-lo que como somos um casal com poucos recursos, você nos deve mil reais pelos gastos que tivemos com você.

– O quê? Tudo isso? Eu não tenho este dinheiro disponível. Não tenho como pagá-los!

– Que pena, meu amigo! Não pode pagar pelo bem que recebeu de nós? Então, com que direito vai cobrar o mal que seu inimigo lhe fez?

Atordoado, o homem ficou parado, olhando, sem entender o que ela queria.

– Qualquer um de nós deveria, antes de cobrar o que nos devem, devemos verificar o quanto estamos devendo. Ao reclamar das coisas ruins que nos acontece, temos de ter cuidado ou a vida pode nos cobrar o que lhe devemos de bom. Nós temos a tendência de lembrar mais dos problemas, das situações ruins e das dívidas que os outros têm conosco. Pode não se lembrar, mas as coisas boas são a maioria na nossa vida. Se a vida resolver cobrar, vamos pagar bem mais caro, do que o que cobraremos dos outros.

Sem palavras, o homem abaixou a cabeça. Não tinha como pagar o bem que lhe fizeram. Pretendera sair dali devendo o bem, para cobrar o mal. Como ia resolver isso?

– Existem muitos exemplos na natureza de situações em que o algoz pode se tornar o salvador. O sol que queima, traz a vida. A água que afoga, também mata a sede. A noite que chega, traz as estrelas. E por ai vai. Não devemos chorar pelo que nos foi tirado, mas aprender a respeitar e amar o que nos foi dado. Pense nisso. Você não nos deve nada. Nós também temos dividas a pagar pelo bem que recebemos. Respondeu o senhor.

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