HISTÓRIAS

O PREÇO DE UMA ILUSÃO – A TRAIÇÃO

Ouvi dizer uma vez, que trair é só questão de costume. Uns se acostumam a trair e outros a serem traídos. Acredito que a traição é uma coisa terrível. A despeito de tudo que já disseram ou escreveram a respeito, a situação é bem pior do que se imagina, principalmente quando se é a vitima.

Primeiro você começa a desconfiar de que algo está errado. Não é sexto sentido. Não é nenhum santo te contando. Não é adivinhação. É você, que de repente acorda e começa a perceber que algo está errado. Não dá para explicar em que momento isto acontece, mas ocorre um insight e estala algo em sua mente e começa-se a perceber alguns indícios básicos de que algo diferente está acontecendo com o outro. Como nada está mudando em sua vida, certamente, algo está se modificando na do outro.

Não há quem não leu sobre os sinais básicos da traição. Não vou repeti-los. Nem vou dar receita de como pegar o traidor ou pior, como fazer o mesmo com ele. Quero falar do depois, dos sentimentos do traído.

Ser traído é bem parecido com você estar num dia lindo de verão, fazendo piquenique com a sua adorável família e de repente cai uma tempestade. Não uma tempestade qualquer, mas uma daquelas de granizo, que arranca uma enorme árvore, que cisma de cair em cima de seu carro recém-saído da concessionária. Depois de se recuperar do susto, você corre em busca de um local para se esconder, mas uma pedra de gelo cai bem nas suas costas, te deixando oco, dolorido, paralisado de medo, com a sensação de que o que caiu foi o mundo inteiro e não só uma pedra. Você tenta se levantar, mas dói tudo. Olha em volta e não vê ninguém que possa te auxiliar. Onde esta a pessoa amada? Decepcionado, você se ajoelha com muito custo. Angustiado, percebe que não tem nada a fazer além de esperar sentado por um socorro. Não vem ninguém. Com bastante esforço você consegue se levantar. Dói tudo, até o último fio de cabelo. Caminha lentamente em direção a um local seguro. A chuva cai. Um raio cai sobre sua cabeça e você desmorona.

Que terror é esse, você pode estar pensando agora. Eu digo: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. A sensação de ser traído é terrível. A dor chega a ser física. Você olha para o rosto da pessoa e não acredita que ela teve coragem de lhe afligir desta forma.

Você passa tempos ao lado de uma pessoa que sempre afirma lhe amar. Um dia você acorda e vê que essa pessoa lhe traiu. E o pior, não lhe traiu com uma pessoa mais bonita, mais gostosa ou mais intensa do que você. Mas lhe traiu com uma pessoa comum. O que ela tem que você não tem? Nada demais. Ela não tem nada que você não tenha. A culpa não é sua. Você não fez nada.

Balela. Você se sente culpada. Infeliz. Seu mote de 24 horas: O que eu fiz para merecer isto, meu Deus? Repito. Você não fez nada. Mas você continua se achando culpada. Pois é. É assim mesmo. Culpa, minha máxima culpa. É o fdp que lhe traiu? Faz cara de vítima. E se bobear, ainda diz que você se enganou a respeito e ainda te culpa pelo fato.

Se você consegue ajeitar as coisas. Se ele reconhece o erro e pede desculpas. Se vocês conseguem passar por cima, fica então, outro problema, que pode culminar na separação futura. Você desculpa, ou você perdoa, mas de qualquer forma, não esquece.

É incrível, mas quando alguém pede desculpas, ele está demonstrando, mesmo aparentemente, o arrependimento. Quando o traidor é descoberto, às vezes pede desculpas, para que o outro pare a discussão, ou porque está mesmo chateado consigo mesmo. Mas dificilmente pensa nos sentimentos do outro no momento da traição. Desculpe-me, em certos momentos da discussão soa como, entenda meu lado e, por favor, me dá uma segunda chance.

Se você deixar passar, não quer dizer que de pronto, está esquecendo o fato, é uma forma de amar, de entender o outro. De dizer ao outro que, apesar de tudo, ele merece respeito, embora não o tenha respeitado. Que por amor, você o perdoa.

Mas no que tange a desculpar, a conversa é bem outra. Perdão é perdão. Mas a desculpa é complicada. Enquanto você estava sendo mordida, pisada, diminuída, subtraída, o outro não teve uma justificativa plausível para aquela falta. Enquanto estava no bem bom com outra pessoa não se lembrou do quanto você poderia vir a sofrer se soubesse. Você perdoa porque ama. Você não desculpa, porque ama e porque não vai aceitar mais que uma situação desta ocorra outra vez.

A gente perdoa, porque também erra. Também já pedimos várias desculpas. Algumas esfarrapadas, outras bem justificadas, e até aquelas sem noção do que estávamos fazendo.

No fundo da alma, o me desculpe não tem nenhuma razão de ser. Olha aqui, te pus os cornos sim, me desculpe. Te coloquei um par de chifres com um ser qualquer que me dispus a copular e me desculpe, porque eu simplesmente tava a fim de fazer e fiz, não faço mais, me desculpe mesmo. Está bem. Simples assim. Vai desculpando. O escambau que vai. Quem errou é responsável pelos seus erros e ponto final. Depois de uma facada, virar para o outro com um pratinho, na tentativa de recolher o sangue que jorra: Oooh, me desculpe, vou recolher o sangue pra você, tá?!

Não há de se desculpar. Há de se perdoar. A dor continua, mesmo depois do perdão. A ferida demora a cicatrizar. O corte vai estar lá para sempre, a despeito das costuras que se faz e, em alguns casos a ferida vira um quelóide. Com ou sem entendimento do sentido da traição, a dor continua por muito tempo. A não ser que o traidor perceba o estrago que fez e mude a postura através de muito cafuné, dedicação, carinho e amor, nada vai adiantar. Nem desculpas, nem perdão e nem mesmo um trem passando em cima.

Orgulho ferido é difícil de sarar. O traidor geralmente pensa que, já que foi perdoado, meia dúzia de beijos e afagos são suficientes para curar o outro. Ele acredita que aparecer com um presente inesperado, mudar a rotina e fazer coisas que detesta para provar sua redenção é suficiente para que o fato seja esquecido. Presentes fora de data são prova de afeto, sim. Mas não quando estamos na berlinda. O amor é dito com as posturas das mãos, lábios e corpo. Nem sempre o gramado do vizinho é o melhor. Não sabemos o que está enterrado nele e nem quantas ervas daninhas ele teve de retirar até que a grama ficasse tão verde.

Ser traído é muito ruim. É péssimo. É odioso. Nós vemos o pior da outra pessoa.

O tempo passa. Olhamos para o outro e pensamos: como pode? Porque? O que aconteceu? Não há respostas. Nem mesmo o outro sabe dizer porque.

Vai por mim: o amor é a única garantia contra a infidelidade. Se não houver amor no coração, trair não é a solução, mas sim, uma separação.

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5 pensamentos sobre “O PREÇO DE UMA ILUSÃO – A TRAIÇÃO

  1. É interessante. Muito interessante. Ver as pessoas rodando os mesmos programas, sendo controladas pelos softwares de simulação da realidade. Não se dão conta de que tudo isso é pura ilusão. Não existe traição. É apenas mais programa criado para fazer as pessoas acreditarem que a vida é isso. Todo ser humano nasce livre. Mas vai sendo moldado ao longo do tempo. O sistema de crenças começa a rodar estes programas denominados valores morais em toda mente alcançada por ele. Assim, todos os que estão presos a este sistema agem sempre conforme estes programas. Quando seguem as regras, sentem sua consciência tranquila por estarem fazendo a coisa “certa”. Quando fazem algo errado, a consciência logo aponta o ” erro”. Porém, acertando ou errando, o programa sempre roda do mesmo jeito mantendo a mente sob controle para não perceberem a verdade. O único erro de uma pessoa é querer, tentar ou prejudicar outra pessoa. Mas, a traição prejudica o traido! Sim, prejudica! Prejudica todo aquele que está rodando o programa do valor moral chamado fidelidade. Este programa não está rodando neste que escreve, pois que este que escreve não está sob seu domínio. Para este que escreve o verdadeiro controle está em deixar uma pessoa fazer suas escolhas e viver livremente sem possessividade, sem ciume, sem medo por parte do outro, mesmo que isso leve esta pessoa a não escolhe-lo. A esmagadora maioria das supostas traições sempre é por causa de sexo. Aliás, este é outro programa controlador. O sexo é a forma mais profunda de se aproximar da fonte criadora, mas o sistema de crenças impôs regras também para isto. Para que as pessoas não sintam prazer. Este que escreve gostaria de poder detalhar cada programa que roda nas mentes. Porém, este espaço é controlado pelo sistema de crenças e as mentes aqui conectadas vão rodar seus programas. E a ilusão vai continuar. Este que escreve é “louco”,” sociopata”,”anarquista”,”desvairado”, “tarado”, ” incoerente”, “desavergonhado”… É o que vão dizer! E assim, este que escreve vai mais uma vez ser posto de lado por não estar rodando os velhos programas. Este que escreve acredita que existem outros como ele. E também acredita que não estão aqui.

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  2. Zaza qta nostalgia, vc esta, como se diria a uns bons anos atrs, na fossa, sai dessa amiga, na minha opinio: quem me trai no me merece puxo o carro, tchau, a fila anda. Um dia achei q a traio igual a danar tango dois pra la, dois pra c. Hj penso bem diferente e no me vejo em uma relao onde no haja verdade e respeito, o que acho essencial p se comear qq relacionamento. Um abo Date: Tue, 15 Jan 2013 19:32:00 +0000 To: rogeriap2009@hotmail.com

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    • Fofa, eu escrevo para os outros. As pessoas me mandam e-mail pedindo para falar sobre determinado assunto e eu escrevo o que elas me pedem. Nem todos podem ser felizes o tanto que desejam. Luz e paz para sua vida, sempre!

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