HISTÓRIAS

PROFESSOR DE QUE MESMO?

Contaram-me uma história há tempos atrás, e esta relatava a
existência de um ótimo vendedor de artefatos para animais, em uma cidade bem
distante. Em certo dia ele se atrasou para fechar sua loja e uma tempestade começou.

Ele tinha um cavalo de estimação, muito grande para a raça.
Preocupado com o temporal e com o fato de que seu cavalo estava lá fora sozinho
e algo pudesse lhe acontecer, ele deixou que o cavalo ficasse com a cabeça para
dentro da loja. Daí a chuva piorou e o cavalo colocou também o pescoço. Daí as
costas. Logo o cavalo estava dentro da loja. O homem teve de sair porque não cabiam
os dois lá dentro. E o homem do lado de fora, ficou sob o temporal frio.

O que isso tem a ver com a educação? De modo similar, quando o
mais importante é ficar na escola, passar o dia inteiro nela, e o conteúdo se torna
de menos importância do que tudo, a própria educação fica de fora.

De forma lamentável, hoje nas escolas, está faltando os
conhecimentos básicos para tornar o aluno um sujeito participativo e
independente. A escola está assumindo irreversivelmente os papéis da família e não
há como considerá-la uma substituta eficaz e satisfatória para os pais.

O sistema de ensino tem adotado escola de tempo integral,
escola de final de semana, mas se esquecendo que o problema é social. A deterioração
é da própria sociedade e nada que a escola faça vai suprir esta carência. Não
adianta, portanto, que as escolas adotem um sem número de atividades extras, que
faça o papel da família cuidando das necessidades emocionais e sociais dos
estudantes, quando o que eles precisam de verdade, é que a escola se preocupe
com suas necessidades educacionais e nada mais.

Não sou contra o esclarecimento aos adolescentes sobre o sexo,
sobre as drogas e sobre diversos outros assuntos sociais. Mas sou contra a
escola ter de fazê-lo e tomar um papel que não é seu de fato, mas da família.

Por que as pessoas não têm coragem de explicar aos filhos a
forma correta de agir e impõe a escola este dever?

Por que os pais se “esquecem” de suas obrigações para com
seus filhos, quando não deveriam fazê-lo?

Por que estes mesmos pais, omissos, despreocupados com o futuro
de seus filhos, não impõe ao governo a obrigação de pagar a estes professores
que fazem seu papel de pais, um ótimo salário para assumir tal responsabilidade
que cabe tão somente a eles, pais?

Por que na hora em que estes filhos comportam-se
indevidamente na escola e são levados a assumir as conseqüências de seus atos,
são estes mesmos pais que correm “assustados” e “preocupados” com o que “foi
feito” ao seu filho?

Mas, sabe de uma coisa? A culpa disso tudo é do professor, da
professora, porque eles têm aceitado calados todas as responsabilidades que
lhes impõe. Não tem coragem nem para fazer uma greve decente, de parar tudo e
dar uma “banana” para a sociedade corrupta e vergonhosa que não assume seus
próprios filhos.

Que tipo de professor é você? Tem coragem para fazer o papel
da família, mas não para assumir seu verdadeiro papel. Então, fica no horário
do intervalo (isto quando o tem) na sala dos professores chorando “miséria”,
reclamando do governo, da sociedade, e depois que bate o sinal, vai dar uma
aula de “merreca”, para uns alunos que não estão nem ai para sua aulinha medíocre.

Acha que estou falando sandice? Prove então que não estou. Te
desafio a me provar que sua aula não é uma “merreca” desvalorizada.

A sociedade é você também, “professorzinho”! Onde está o cavalo,
e onde está você?

Estão impondo estas obrigações ao professor, porque “acham”
que educador tem de aceitar tudo, trabalhar por amor a profissão, que se bobear
nem precisa de salário.

Desde quando amor a profissão tem de fazer o sujeito aceitar
tudo? Ah, tá, esqueci… é professor… desde que o mundo é mundo que a “raça”
aceita quase tudo…

Quando foi a última vez em que algum secretário/a de educação
(mesmo sendo ele/a professor), organizou uma reunião de verdade com os
professores e discutiu sua situação?

Teve algum seminário em que o professor foi convidado pelo
governo a discutir sua situação? A real, a que acontece no dia a dia da escola,
aquela que a mídia nem liga em divulgar?

Qual é a da educação mesmo? E qual é a real do professor? Os
dois caminham juntos? Para que lado? Qual o objetivo afinal?

Anos atrás, um estudante, ia para a escola para aprender a no
mínimo, falar corretamente o português. Hoje, falar errado é estar na moda, ser
da galera, é estar dentro da linguagem oral, é ser o tal. Todos estão
esquecendo que , no futuro, precisam falar fluentemente o português padrão para
competirem no mercado de trabalho de igual para igual com outros.

As escolas integrais, ou de finais de semana estão oferecendo
currículos supérfluos, de pouco valor, mas que constituem uma aula fácil de
dar, embora caríssima para o governo, que paga com nossos impostos.

Porque os pais não reclamam? Por que gostam exatamente disso,
da escola fazendo seu papel. Não estão nem ai para um ensino de qualidade, desde
que os filhos estejam com alguém que tome conta deles, agüente seus problemas
emocionais e sociais.

Têm professor preocupado com este tipo de ensino? Tem professor
que vê nesta prática de substituir aula por oficina, como uma ameaça às competências
acadêmicas? Claro que tem. Apenas não se manifestou. Tem medo de retaliação? Tem
medo de ser questionado e não saber responder?

A escola agora é um “supermercado”
de currículos de conveniência, onde se escolhe o que dá menos trabalho para
fazer. Escolhe-se o que aparece mais, o que tem efeito em curto prazo,
esquecendo-se que educação só aparece em longo prazo, dificilmente dá resultado
imediato.

E ai professor? A culpa é sua sim. Você não reage. Tem medo
do sistema. Tem medo do fracasso e é isso que passa para os outros.

Por que o professor não briga para acabar com a erosão dos
padrões acadêmicos, desde o primeiro grau até a universidade?

Quando se colocará um padrão de eficiência e eficácia para todas
escolas públicas? Sabe quando? Quando professores comprometidos com normas
elevadas, deixarem de aprovar estas atrocidades que estão sendo feitas com a
educação, tais como o ambiente relaxado de ensino e oficinas em lugar de aulas
decentes.

Não existe atalho para a educação. A permissividade atual não
ajuda em nada os estudantes.  Não há
espaço para a superficialidade na educação.

Está me achando antiquada? Discurso igual a outros? Aborrecida?
Deve estar mesmo. O professor não precisa ser enfadonho, mas precisa apresentar
o conhecimento de forma que ele possa ser usado no futuro. Um bom exemplo é um
estudante de piano. Ele tem de treinar a escala de piano, porque é importante se
ele quiser dar um concerto no futuro. E porque o professor de música não acha
que repetir e repetir é enfadonho e desnecessário? Por que estar entre os
melhores exige tempo, dedicação e interesse.

De que adianta dar uma
aula mediana, para não sufocar a “individualidade” e a “criatividade” do aluno?
Aulinha medíocre equivale a ensinar futebol sem rede para fazer gol.  Aulas em forma de oficinas equivale a ensinar futebol,
mas sem a bola.

Professor, você está achando que os alunos são incapazes de pensar
e agir de maneira culta e civilizada? Acha que eles não percebem a sua falta de
tato? Sua aulazinha? Acha que os pais estão se importando com o que acontece na
escola, desde que seus filhos estejam bem tutelados, enquanto eles se safam da
obrigação de cuidar deles?

A educação que antes media um quilometro, agora mede um centímetro.
Para que esta situação mude, o prazer dos conhecimentos dispensáveis deve ceder
lugar à aprendizagem das disciplinas realmente necessárias. Mas isto só é
possível em uma escola de verdade, com professores de verdade.

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