HISTÓRIAS

UMA NOITE NA BOATE!

Maria entrou no recinto, olhou para os lados e não viu nada que a interessasse. Escolheu uma mesa e sentou-se de frente para a porta. A mesa ficava em um local de boa visibilidade e daria para ver quem entrava e saia.

O garçom chegou e entregou o cardápio saindo logo em seguida. Maria abriu e ficou olhando sem enxergar nada. Os óculos ficariam na bolsa. Também, vê se ela ia colocar os  óculos no meio de uma boate cheia de gente.

Maria levantou as mãos e o garçom reapareceu. Ela pediu uma taça de vinho tinto suave. Alguns longos minutos depois o garçom trouxe a taça com o conteúdo extremamente gelado.

Garçom burro… ela pensou. Onde já se viu servir vinho tinto tão gelado.

Ela ficou esperando o vinho esquentar um pouco antes de bebê-lo. Numa mesa próxima, um sujeito levantou seu copo em direção a ela. Ela virou o rosto e percebeu que era mesmo com ela. Abaixou o rosto e não respondeu. Era seu dia de folga. Tinha acabado de chegar e ele não era absolutamente o “seu” tipo preferido. Tinha cara de boa gente e pelo tamanho da mão que ele levantava, devia pesar uns cento e cinquenta quilos. Daquela distância não dava para ver direito, por causa dos óculos. Mas a mão dele era enorme… isso dava para ver… imagina o resto…

Três taças de vinho depois, ela consegui ir pra a pista e dançar um “bilisquete”. O tal do sujeito se aproximou e não é que ele era enorme mesmo? Mas até que era bonitinho o danado. Mas ela não tava a fim de nada. Sò queria dançar, tomar uns goles e ir pra casa dormir de pijama e polainas quentinhas.

– E ai morena? Tá afim de dançar? Perguntou o sujeito de mãos grandes.

– Se você não reparou, eu já estou dançando. Respondeu Maria.

– Ah tá! Claro! Sou o Dirceu. E você?

– Não sou o Dirceu. Respondeu ela.

– Ah tá! Já é! Qual o seu nome mesmo?

Maria largou a pista e voltou para sua mesa. A outra taça de vinho já estava esperando geladinha. Que delícia de vinho! Deveria voltar mais vezes aquele lugar. Era um ótimo vinho geladinho. E o garçom era muito rápido com os pedidos.

Pensativa, ela observava os casais se beijando na pista, nas mesas e teve vontade de estar na mesma situação. Virou o rosto e deu de cara com o grandão sorrindo pra ela.

Que merda! O que será que este cara viu em mim? Acho que vou ter de ir embora pra ele sair da minha aba. Eu estou de folga e ele tem cara de bonzinho. Não rola!

Enquanto ela pensava, o garçom trouxe outra taça de vinho e uma porção de peixe empanado, que cheirava deliciosamente.

– Eu não pedi isto! Ela afirmou.

– Eu sei madame. Um cavaleiro pediu para lhe trazer este pedido e entregar-lhe este bilhete. Ah… e sua conta já está paga. De forma que a senhora não vai precisar pagar nada esta noite.

– Que? Quem foi este atrevido?

– Não posso dizer madame. Ele disse que não queria ser identificado, pra não causar constrangimento a senhora.

Ela pensou um pouco, olhando para o garçom. Pegou o bilhete e leu:

” Vossê é linda dimaiz! Parei na çua! A cônta é pur minhá cônta, poçu me achegá ai!”

Eu mereço! Não sabe nem escrever. Bom, pelo menos tem dinheiro pra pagar um bom vinho para uma mulher. Azar o dele afinal. Eu não dei bola porque hoje estou de folga, mas já que ele insiste em me fazer trablhar, que seja…

Virou-se e levantou a taça para o tal de… como era mesmo o nome dele? Deixa pra lá…

Ela o chamou para sentar-se a mesa dela. Segundos depois lá estava ele, frente a ela, jogando conversa fora.

Dirceu era seu nome. Mestre de obras. Estava cuidando de uma obra perto dali. Supervisionava trinta e cinco peões. Não tinha família na cidade. Nem mulher e nem filhos. Estava sozinho na vida.

Algumas taças de vinho e algumas cerveja depois ele pagou a conta e os dois sairam da boate. Ele convidou-a para ir até o barraco alugado pela empresa, próximo dali.

Era tudo limpinho. O cara era enorme mesmo, ela pensou. Como ia dar conta dele? Teria que ir com calma.

Ele tinha umas cervejas na pequena geladeira. Pegou uma, e serviu Maria num copo lagoinha.

– Vou dar uma mijada e já volto. Você fique a vontade ai tá? Dirceu falou.

– Tá!

Ele voltou do banheiro e encontrou Maria bebericando sua cerveja. Pegou o outro copo e virou todo o conteúdo de um gole só .

Dirceu levantou-se cambaleante e foi em direção a cama. A bebida estava fazendo efeito. Sentou-se e chamou Maria para sentar-se ao lado dele. Ele ainda teve tempo de ver Maria retirando de sua enorme bolsa uns apetrechos estranhos, parecendo coisa de médico. Caiu para trás… a bebida fez efeito…

No dia seguinte Marai leu a manchete no jornal:

” Peão de obra encontrado morto. Foram retirados todos os órgãos vitais!”

Maria largou o jornal e pensou que a culpa foi dele. Ela tinha saido apenas pra se divertir. Estava de folga. Ele é que tinha insistido. Quem mandou ele pagar sua conta.

Ela detestava homem oferecido que achava que podia comprar tudo… até seu dia de folga…

Perdeu doidinho…

Fui!

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