HISTÓRIAS

JUNTOS E FELIZES PELA ETERNIDADE?

É incrível como a idéia de um relacionamento durar para sempre o torna cada vez mais curto. Que horror, você deve estar ai pensando agora. Mas é a mais pura verdade. E esta afirmação vale tanto para os bons e maus relacionamentos. Nada dura para sempre, infelizmente, nem o bom e graças a Deus, nem o mau, valendo esta afirmativa para tudo que envolve seres humanos.

No momento em que achamos que tudo está indo maravilhosamente bem, desejamos que dure para sempre e mais um dia. É absolutamente normal desejar e pensar assim. O problema reside no desejo de perdurar para sempre, acreditar que pelo fato de estar perfeito, por si só já é uma garantia de eternidade. Por incrível que pareça esta situação é uma estratagema psicológico, que nos coloca em uma excelente zona de conforto, onde acreditamos que estamos acima de quaisquer problemas de relacionamento. Deixamos que a rotina se instale e não mudamos nada. A paz de sonhos entra no comando de nossas ações e nos aquietamos tranqüila e condescendentemente em nosso marasmo relacional. Sobrevivemos, sorrimos e tudo continua igual. Não vivemos.

Seguros. Estáveis. Felizes. Confiantes. Donos da situação. Não corremos mais riscos. Tudo está sob controle. Então nos descuidamos. E é ai que mora o perigo. Paramos de cuidar da relação. Paramos de fazer mimos. Paramos de colocar o outro no pedestal do interesse. Nos tornamos donos em vez de parceiros. Acreditamos no para sempre e nos esquecemos da efemeridade da situação humana. O que achávamos que nunca íamos perder, porque considerávamos nosso, simplesmente começa a escapar de nossas mãos.

Bate aquele vazio existencial. Perda. Dor. Tormenta. Culpa. Porque não durou para sempre como havíamos combinado? Porque não permaneceu o vínculo a qual nos propomos? O que aconteceu ao longo do caminho que foi tão devastado ao ponto de haver ruptura? O que eu fiz de errado? Por que com a gente? Nosso relacionamento era perfeito…

Separação é triste e dolorido, para qualquer pessoa. Uns menos, outros mais, mas a dor é tamanha que se torna física a ponto de causar mal estar. Só quem passa sabe o que eu estou dizendo. Quem nunca passou talvez nem acredite nisto. Mas dói muito mesmo.

Por que acabou? A resposta é simples como morder água. Acabou porque não foi cultivado, tratado, amaciado, desenvolvido. Acabou pela prepotência de achar que estava perfeito demais para mudar alguma coisa. Acabou porque deixaram de se preocupar um com outro. Acabou porque se sentiram tão confortáveis com o que tinham que não buscaram uma forma de mantê-lo. Acabou porque não houve a ética do cuidado com o outro. Acabou porque todo dia era a mesma coisa do dia anterior e por conseqüência se perdeu a referência do outro.

Quem sofrerá mais, o homem ou a mulher? Sofrerá mais aquele que acreditou mais na eternidade do relacionamento. Aquele que achou que por ser perfeito e eterno não precisaria fazer nada para melhorar a perfeição da existência relacional. Se os dois acreditassem da mesma forma, o relacionamento realmente seria perfeito e eterno de verdade. Mas a gente sabe que nunca é assim.

Penso que se todos se preparassem para as perdas, as derrotas, com a mesma sagacidade que se preparam para o sucesso a vida seria mais fácil e menos dolorida. “quem quiser a paz prepare-se para a guerra” diz um velho ditado e esta afirmação vale para a vida sentimental também. Nada é para sempre. Quando acontece de o ser, é como um prêmio da loteria, muitos jogam, mas só um ganha, no caso dois ganham.

Pior do que perder, é ficar num relacionamento ruim, sofrível, apenas para manter a aparência ou para “criar os filhos”, coisa que já ouvi muito. A coisa degringola tão severamente que algumas partes partem para a agressão física. Outras para a agressão verbal, chegando até o ponto de atingir psicologicamente o outro lado. E então? Quando chega neste patamar, o que deve ser feito? E o para sempre e mais um dia? Responda-me você. Qual a estratégia a ser utilizada nesta questão?

Brigas, ofensas, verbalização do ódio, tudo isto mina a confiança e o respeito que ainda resta de um pelo outro. Fica difícil manter o amor quando o coração está dentro de um freezer e o cérebro dentro de uma caldeira. Relacionamento envolve uma via de mão dupla, dá e receber em iguais proporções. Se uma via receber a passagem de mais carros do que a outra, ela ficará desgastada mais rápido do que a outra e consequentemente precisará de mais reparos. O cuidado tem de ser recíproco. PA ficar junto depende dos dois, mas para destruir, apenas um é necessário. Já viu aquele ditado que diz que “quando um não quer, dois não brigam”?  Funciona exatamente assim.

Cultive o amor como um jardim. Cheque os espinhos, mas não os arranque, porque eles o farão lembrar que tudo tem dois lados. É melhor retirar as pontas e deixá-los lá, aprendendo a conviver com eles, sabendo que se retirá-los outros nascerão e a ferida pela retirada deles estará sempre lá. Esteja sempre aberto a mudanças. Invista na relação, em mimos relacionais.

Se de tudo não der certo mesmo, tente encerrar em paz. Para sempre, só Deus.

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