OPINIÃO

ASSÉDIO – UM PROBLEMA PARA TODOS RESOLVEREM

O trabalho vira um pesadelo para a pessoa. Ela apenas sobrevive entre uma humilhação e outra. Ouve a linguagem ultrajante e percebe os duplos sentidos dirigidos a sua pessoa nas conversas. Do que estamos falando?

ASSÉDIO MORAL.

Há alguns anos quem sofria assédio moral no serviço
não tinha muita perspectiva, a não ser talvez pedir transferência e em muitos casos a demissão.

Ao confrontar a chefia imediata muitas vezes o funcionário ouviu a
resposta: “-É sua palavra contra a dele (a)!”

– Mas hoje, os tempos mudaram! Diria você. Mas será que mudaram mesmo?

O assédio moral não é um incidente isolado, esporádico, longe disso, assediar é fazer comentários grosseiros, humilhar, angustiar mentalmente, transformar o local de trabalho em um ambiente hostil, praticar a intolerância, assediar de diversas formas e por fim causar danos irreparáveis a outra pessoa. O assédio é mais comum do que se pode pensar.

Apesar das inúmeras condenações na justiça, em diversos casos com indenizações milionárias, a verdade é que poucas denúncias vão parar nos tribunais. Uma grande parte, senão a maioria das vítimas sofre o assédio em silêncio. Sofrem com o hediondo jogo de dominação e intimidação no trabalho. Não raro, alguns sofrem coerção e abuso com conotação sexual.

Mas, o maior problema não é o assédio visível, descarado, mas o jogo sutil, velado, onde acontecem as piadinhas, inconveniências, descortesia, olhares maliciosos, joguetes e obscenidades às escuras.

Tem-se conhecimento de pessoas que contestam a definição deste comportamento como sendo assédio, alegando que não passa de uma simples tentativa de chamar a atenção do outro para si.  Estas pessoas que não acreditam que este comportamento seja assédio, não devem conhecer nada do mundo ou devem ser completamente inocentes. Mesmo nesta sociedade permissiva que vivemos atualmente, não se acreditam mais em desculpas para esse comportamento aviltante. Assédio não é apenas uma brincadeira
grosseira, um deslize desajeitado, um gracinha espirituosa, ou mesmo um comentário mal interpretado, mas é, definitivamente, um comportamento desagregador e assassino, um psicoterror completamente imoral.

A função do assediador é coagir, demonstrar poder e crueldade, uma
tentativa de domínio para causar prejuízo a outrem.

A pessoa que passa pelo assédio moral no trablho, mormente tem sentimentos de nojo, raiva, e humilhação. Se sente arrasada, e perde a confiança nas pessoas. O amor próprio deixa lugar à depressão, podendo levar a pessoa a perder o interesse pela carreira e pela
vida. Em alguns casos, há assediados que mudam a personalidade drasticamente, passando a ficar entristecido, fechado ou mortificado.

Quando o assediador é de uma hierarquia superior, com poder de fogo e barganha, o problema ganha aspecto particularmente desagradável. Não é de se admirar que a justiça tenha passado a
não só punir o ofensor, mas também compensar a vítima de assédio moral, como forma de entendimento do assédio como violação dos direitos civis.

Cada vez mais a justiça tem exigido dos empregadores a promoção de um ambiente de trabalho que não seja invasivo ou agressivo. O setor que admite o assédio moral em suas frentes de trabalho pode ter funcionários desmotivados, um índice maior de absenteísmo, redução da produtividade e rotatividade nos quadros de servidores.

Será que as empresas realmente têm se dado conta da dimensão do problema do assédio moral em seu âmbito interno?

Há pesquisas no Brasil que indicam que o assédio moral é um problema recorrente, ocorrendo em todos os níveis hierárquicos, portanto não é coisa nova. Mas esse péssimo comportamento parece especialmente generalizado hoje em dia. Será por quê?

Basta que observe com atenção e perceberá que o aumento nas queixas de assédio moral vem acompanhado de um assombroso
declínio da civilidade na sociedade em geral. A falta de educação e de amor predominam. O assédio moral, enquanto problema no
trabalho, reflete a nova moralidade política, que toma conta da
sociedade. A rescisão dos limites morais ocorre de forma paralela ao flagrante desrespeito pelos direitos dos outros, esquecendo da máxima de que a liberdade de um ser vai até onde começa a liberdade do outro.

Independente da justificativa que o agressor possa apresentar, ou quaisquer que sejam suas causas, o assédio moral é uma realidade
devastadora, cruel e terrorista no local de trabalho.

Não bastando o fato de que o assédio moral coloca a pessoa melindrada, tornando-a propensa a sensibilidades ainda se pode ouvir pessoas que dizem que esta questão de assédio moral é mais
um modismo, um produto do sensacionalismo e da histeria da pessoa que se diz agredida.

Infelizmente, devido à política do descaso, o funcionário assediado, principalmente se for do sexo feminino, tem muito a perder e pouco a ganhar ao denunciar o assédio. De fato, devido a não apuração real dos fatos, apenas uma minoria de funcionários assediados chega a
revelar, a quem quer que seja, que foram assediados. Não o fazem por desinteresse, mas por medo, vergonha, sentimento de culpa, dúvida ou absoluto desconhecimento de seus direitos legais.

Milhares de assediados pelos psicoterroristas permanecem em silêncio, mas uma pergunta não quer calar:

– Que aborrecimentos são mais dolorosos do que aqueles de que não nos podemos queixar? — Pergunta feita pelo Marquês de Custine, 1790-1857. Tudo a ver com o nosso momento atual…

Fui!

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4 pensamentos sobre “ASSÉDIO – UM PROBLEMA PARA TODOS RESOLVEREM

  1. Eu já tive este problema com uma chefe que tentou me derrubar numa promoção. Eu a processei, mas infelizmente a firma despediu nós dois dizendo que não queria este tipo de problemas em sua prganização. Eu me senti péssimo, porque só estava defendendo meus direitos, já que foi ela que me assediou. Acho bacana você se preocupar em abordar este tema tão controverso. Parabéns pelo excelente blog. Continue assim.

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    • Estou trabalhando o tema em forma de workshops nas organizações. O assédio é mais comum do que as pessoas pensam. A maioria das empresas prefere fazer “vista grossa” a resolver, ou como fizeram no seu caso, demitir. No serviço público também está acontecendo a mesma coisas. Onde tem gente, tem problema. Obrigada por participar. Volte sempre.

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  2. Também já passei por este problema no meu serviço. Não tive nenhum apoio e no final ainda tive de sai do meu serviço como se fosse eu que tava perseguindo o colega. Levei um tempão para me recuperar do problema. Parabéns pelo ótimo texto e abraços.

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